quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Arrepio do Holocausto

Texto extraído de reportagem desta semana da revista Época, onde pode-se perceber a extensão do que seria abordado no Carnaval a título de "genialidade" e "inovação":

O que foi o Holocausto: O genocídio nazista matou 6 milhões de judeus

A Alemanha nazista massacrou, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), algo entre 9 milhões e 11 milhões de civis. Os alvos preferenciais da perseguição nazista foram comunistas, homossexuais, doentes mentais, ciganos e judeus. O termo holocausto ficou consagrado para designar o genocídio de 6 milhões de judeus – o foco central da perseguição nazista. Após a guerra, os tribunais de Nuremberg, que julgaram os responsáveis pelo genocídio, consideraram o Holocausto um crime contra a humanidade.
A palavra holocausto vem do grego. Holos significa todo, total, e kaustos quer dizer queima. Na Antiguidade, o termo se referia ao sacrifício feito a um deus, em geral numa pira com fogo. No início do século XX, foi usado para descrever o massacre de armênios na Turquia, durante a Primeira Guerra Mundial. A partir dos anos 50, passou a designar a tragédia dos judeus, cuja população foi quase exterminada na Europa. Por sua conotação espiritual antiga, alguns historiadores consideram o termo inadequado. Preferem a palavra Shoá, calamidade em hebraico.

O Holocausto foi construído durante um longo processo. Começou a ser estabelecido em 1933, com a eleição de Adolf Hitler para o cargo de chanceler (o equivalente a primeiro-ministro) na Alemanha. Líder do partido Nacional Socialista, Hitler ascendeu a uma posição de domínio num país fragilizado pela pobreza e pela humilhação da derrota na Primeira Guerra Mundial. Seu discurso xenófobo e autoritário previa a volta aos “tempos de glória” dos alemães, vistos como “raça pura e superior” às outras. Apropriando-se de preconceitos anti-semitas, os nazistas alçaram os judeus à condição de bode expiatório dos problemas do país.
Hitler propôs uma “solução final” para o que ele chamava de “a questão judaica”: o extermínio, a eliminação de pessoas pelo simples fato de pertencerem a uma etnia. À medida que o regime nazista tomava conta das instituições alemãs, Hitler anunciou medidas mais restritivas aos judeus. Primeiro, retirou seus direitos civis. Em seguida, confiscou seu patrimônio, confinou-os em bairros exclusivos, obrigou-os a usar uma estrela no peito. Ao mesmo tempo, incentivava milícias de assassinos de judeus. O último passo foi persegui-los e matá-los de modo “industrial” nos campos de extermínio. Com o progresso da guerra, os nazistas exportaram essa política aos países que ocuparam.


Houve método na loucura nazista. O massacre tinha uma burocracia empenhada em fazer cumprir horários e metas de número de mortos. Depois de presos, os judeus eram transportados em vagões de trens lotados para campos de trabalhos forçados ou de extermínio. Ao chegar a Auschwitz, o pior dos campos de extermínio, os prisioneiros eram divididos em dois grupos. Os menos debilitados eram encaminhados ao trabalho escravo. Os mais fracos, ao “banho”: salas apertadas em que centenas de pessoas, trancadas no escuro, eram mortas por gases venenosos. Seu corpos eram depois jogados em valas comuns. Quando o número de mortos se tornou um problema logístico, foram erguidos fornos crematórios. “O mais aterrorizador sobre os campos de extermínio é que eles não tinham precedentes”, escreve o historiador Raul Hilberg no livro A Destruição dos Judeus Europeus. “Nunca antes na história pessoas tinham sido mortas em um sistema de linha de montagem.”
O Holocausto não envolvia apenas o assassinato sistemático. Envolvia a humilhação de ser escravo e o horror de poder tornar-se cobaia em experiências que incluíam injetar substâncias venenosas em prisioneiros para medir suas reações, amputar membros do corpo ou fazer cortes com bisturis, sem anestesia.

Há outros registros de genocídio perpetrados pelo Estado na história humana. O ditador russo Josef Stálin (1924-1953) liderou um período de repressão cruel que matou milhões de dissidentes. Ao ditador chinês Mao Tsé-tung é atribuída a responsabilidade pela morte de 70 milhões de pessoas. O regime do ditador cambojano Pol Pot matou cerca de 2 milhões de pessoas entre 1975 e 1979. Em todos esses casos, havia um “objetivo”, e os mortos eram aqueles que se opunham a ele. No caso da Alemanha nazista, o objetivo era o próprio assassinato em massa.

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