domingo, 15 de outubro de 2017

Marketing de Realidade











2017 e Mais um Rock in Rio...


Com o fim do Rock in Rio deste ano, fiz uma reflexão mais profunda e devo confessar que mudei algumas das minhas opiniões sobre o festival. Nas edições passadas, fui um crítico severo das escalações, até mesmo na grade de bandas de Metal, estilo que mais gosto. Entretanto, cheguei a uma conclusão central, e que embasa todo este meu texto: o Rock in Rio é um festival de música, no seu conceito mais amplo, quase que livre de estilos (eu disse quase, pois algumas aberrações como funk, pagode e sertanejo ainda estão de fora, pelo meno por enquanto) e não um festival de Rock ou de Metal exclusivamente. 

Todos esses anos de reclamação e autotortura por ver atrações mega/super/ultra pop foram desnecessários, pois basta enxergar que o Festival tem de agradar diversas tribos, tem de ter apelo comercial e tem de dar lucro (sim, lucro!). Na minha opinião, ficamos presos ao estigma da edição de 1985 onde, num momento em que éramos pobres de artistas estrangeiros, pudemos ver bandas que estavam no auge e que, em outra situação, nem tão cedo poriam o pé no Brasil. Ver AC/DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Whitesnake, Queen, Scorpions e Yes foi algo tão fantástico que ofuscou as escalações deveras deslocadas de Ney Matogrosso, Elba Ramalho,  Ivan Lins, Moraes Moreira, Erasmo Carlos e outros. Não que fossem artistas ruins – pelo contrário, todos com seu valor dentro da MPB – mas destoavam muito do cast headliner do festival. De ruim, ruim mesmo, só Nina Hagen, que ninguém conhecia antes e todo mundo se esqueceu logo depois. Acho que, involuntariamente, ao conseguir um cast internacional tão maravilhoso logo na primeira edição, deixou o Rock in Rio com a marca de festival de Rock/Metal, o que ele não é.

Voltando a edição desse ano, gostaria de falar primeiro do público brasileiro, que é bastante peculiar. Ficou totalmente evidente que se tem uma coisa que o Brasileiro gosta no Rock in Rio, não é de música em primeiro lugar, mas sim de reclamar. Além das óbvias reclamações do cast do festival, era facílimo encontrar na internet reclamações sobre a transmissão do festival feita pelo canal de TV fechada Multishow, onde, entre várias coisas, o principal era a qualidade do som. Baixo, alto, sem grave, com grave, muito agudo, a voz baixa, má equalização eram alguns dos motivos que os experts em sonorização encontravam para criticar a transmissão feita. Agora paremos para pensar: 1) Era possível assistir quase todo o festival sentado no sofá de casa, pois a transmissão foi na íntegra, perdendo apenas no momento de shows em paralelo no palco Sunset e no palco Mundo, onde o segundo sempre tinha preferência. 2) Se a pessoa não foi, apenas duas razões: ou não quis, ou estava sem dinheiro. Para ambas, a transmissão era a chance de ver (quase) tudo, “teoricamente” de graça. Se a transmissão fosse em mono, com a tela em preto e branco, já valeria a pena, pois só assim veria tudo ao vivo. Mas a transmissão foi excelente, com o melhor áudio que vi até me todas as transmissões de RIR já feitas pelo canal. Agora, se a voz Axl Rose sumia, tenha certeza que a culpa não era da transmissão... mas falo disso mais a frente.

Outro detalhe foi a escalação do palco Sunset deste ano, que foi simplesmente uma das piores que já vi. As combinações efetuadas entre artistas diferentes, característica central deste palco, foram as mais esquisitas de todas as edições. Tudo bem que nomes novos se misturaram a antigos, mas é notória a falta de bons nomes para este conceito de mistura de estilos. E uma triste realidade se confirma: o cenário nacional está muito, mas muito pobre musicalmente... E isto não é fruto de uma mente nostálgica que só pensa no Rock Nacional dos anos 80, mas de uma constatação que se mostra real e concreta. Os últimos grandes nomes que se seguiram a Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho e muitos outros mais, surgiram na década de 90 e já não têm a mesma relevância de antes. O Skank é um exemplo disso: tocou no placo mundo, fez um desfile de hits, mas encontra-se sumido em meio a essa cena pobre de Anitas da vida. O mesmo se aplica ao Jota Quest que apesar de toda a bagagem e carisma, não consegue mais um lugar ao Sol.

Outro detalhe curioso, mas que não é novidade nenhuma, também afligiu esta edição: o famigerado jabá. Para quem eventualmente não saiba, jabá é o resultado da ação “conhecer alguém que pode te ajudar”. Com isso, artistas de merecimento duvidoso se apresentaram no festival. No passado, temos dois exemplos, que foram o Glória e o Kiara Rocks (edições de 2011 e 2013, respectivamente), ambos verdadeiras bombas que tocaram graças ao empresariamento (Monica Cavarela), que tendo conceito junto aos Medina, conseguiu encaixa-los. Neste ano, tivemos o Dr. Pheabs, ruim até a alma, cujo vocalista também estraga outra banda, o Armored Dawn. Como eles entraram? Alguns integrantes são médicos e formam uma cooperativa que é uma das patrocinadoras do festival... Mas recomendo tentar assim mesmo ver ao show, pois rende boas gargalhadas. Destaque para o inglês “macarrônico” do vocalista Eduardo Parras.

O público novamente se faz presente no seguinte ponto: qual o limite para se aguentar repetições neste festival, mais especificamente o Guns n Roses, e mais ainda sendo trolado a cada apresentação? Se apresentando pela 3ª vez no RIR, o Guns – mais especificamente Sr. AXl Rose – fez a todos esperaram sua boa vontade em entrar no palco depois de atrasos monumentais nas duas primeiras vezes. Agora, a trolagem foi outra: apresentou um mega show com quase 4 horas de duração e... sem voz! Os anos se passaram, a idade aumenta, os kilos extras aparecem e a voz sofre com isso, mas o que foi apresentado foi simplesmente beirou o absurdo. O cara dava dez passos e já ficava ofegante, e isso transformou as musicas num tremendo martírio. Não vou nem mencionar os clássicos, que foram totalmente destruídos (“You Could Be Mine” ficou hilária), mas até mesmos as músicas novas sofreram na sua interpretação, como por exemplo, “Better” (do álbum “Chinese Democracy”). E o público tomou, goela abaixo, de uma só vez, repetição e engodo.

Outra questão sensacional de se comentar, é o fato de que determinado artistas têm carreiras brilhantes, mas padecem do mal que é o karma de qualquer artista: o palco. Combinar a reprodução das músicas dos álbuns com um atrativo visual é tarefa difícil, e é aí que o bicho pega. O Pet Shop Boys (que eu adoro) apresentou um show esquisito, cuja sensação era quase que a mesma de ouvir o disco olhando para o encarte, ou seja, tudo muito parado. Sendo uma dupla eletro-sint-pop (hein?) preencher o palco mundo do Rock in Rio foi para eles uma tarefa ingrata. Curiosamente, o que faltou aos PSB, sobrou para Fergie, com um palco visualmente bem utilizado com dançarinos, fumaça, telões e etc. E vice versa, pois aos PSB sobrou música (apesar de um playback aqui e acolá), enquanto Fergie sofreu com um som magrinho, bem longe do groove tanto de suas músicas próprias, quanto das canções de sua ex-banda, o Black Eyed Peas.

Mas houve boas surpresas, embora algumas nem fossem tão surpresas assim, pois se tratavam de repetecos: Alicia Keys e Justin Tiberlake foram perfeitos, com shows que deram gosto de ser ver e ouvir. Bon Jovi também fez um bom show, apesar de quase estar dando o braço a Axl Rose no quesito “minha voz já não é mais a mesma”. Salvou-se pelos backings vocals da banda, que encobriam a sua voz magrinha nos refrões mais explosivos. Destaque mesmo foi o Alter Bridge, que simplesmente destruiu o palco mundo com uma apresentação que eu, de início, não dei muito valor. Bastaram as primeira notas de “Come to Life” para a banda mostrar que não estava ali para brincadeiras. O vocalista e guitarrista Miles Kennedy provou para todos, com seu vozeirão, que não era a transmissão do muito show que estava com problemas. Perfeito, nota dez.

Estruturalmente, o evento esse ano teve a maior área até então, e teve muita opção para quem estava lá, além da música. Entretanto, horas na fila para andar num brinquedo, comida caríssima e banheiros em petição de miséria (relatos de amigos que estiveram lá) mostraram que ainda não conseguimos atingir uma estrutura ideal para eventos deste porte. Do lado de fora, taxistas “assaltando” as pessoas, onde só pegavam corridas longas e deixavam a pé quem queria ir para o entorno do festival (depois reclamam do Uber, e este foi previamente proibido pela Prefeitura), Metrô e BRT´s lotados, ou seja, Brasil. Nos resta esperar pela edição de 2019, isso se o Rio de Janeiro ainda estiver de pé até lá...


domingo, 21 de maio de 2017

Crise Após Crise... Brasil



Os acontecimentos recentes no Brasil, em termos gerais, têm sido impressionantemente caóticos. Parece que tudo, mas tudo mesmo está fora do lugar e da ordem: saúde, segurança, educação, política, investimento, empregos, transportes, tudo está em descompasso. Obviamente que a origem deste desarranjo todo vem das políticas públicas praticadas (ou não) pelos nossos governantes. A habitual inércia do governo desde a República, somada a eterna corrupção, mais 12 anos de governo do PT, que além de corrupto, quebrou o país com políticas populistas e irresponsáveis, o desbaratino e perda de foco dos políticos com as revelações da Lava Jato são apenas alguns pontos desse caos. Além disso, temos hoje um país polarizado, com defesas radicais de pontos de vista, regados com uma ignorância significativa de grande parte da população, que ainda não sabe dos seus direitos e não sabe exatamente pelo que está lutando, o que dificulta em muito uma reação ao quadro que aí está.

Um novo capítulo se instala com a delação dos executivos da JBS e a gravação do Presidente Michel Temer avalisando a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha frente a possibilidade de uma delação premiada. Feita com acompanhamento da Polícia Federal e não simplesmente por um corrupto qualquer que quis se resguardar, a gravação torna-se uma irrefurtável prova de obstrução da justiça. Posto isso, chamo a atenção para a citação do seriado “House of Cards”, feita no Twitter pouco depois da divulgação das denúncias: “Tá difícil competir”. Escrito no mais claro Português, o seriado, que trata de política e corrupção, comprova que os fatos recentes por aqui superam até a ficção. Se paramos para pensar, provavelmente teremos em breve o recorde de 2 presidentes impedidos em menos de 1 ano e meio. Independentemente disso, tem sido alarmante o número de políticos envolvidos em esquemas de corrupção, bem como as cifras milionárias envolvidas, sem mencionar a engenhosidade de alguns esquemas, com estruturas complexas de funcionamento e discrição, mesmo em meio as investigações em andamento.


Enquanto a polarização do país fatalmente se reacenderá, pois os quase extintos petistas fatalmente bradarão “Volta Dilma!” ou então “Eu já sabia”, ao passo que o outro lado bradará “Diretas Já”, teremos um país à deriva. Quando mencionei a ignorância do povo sobre seus direitos, o mesmo se aplica a análise de cenário: bradar “Fora Temer” sem saber o que aconteceria se ele realmente desse o fora, é algo que com certeza acontece. Agora que isso é iminente, poucos sabem quem assume no seu lugar, por quanto tempo, e tampouco como essa escolha se daria. Fatalmente se decepcionarão ao saber a resposta, pois Rodrigo Maia, ainda que por no máximo 3 meses, será essa figura. Mais ainda quando souberem que é o Congresso Nacional escolherá o substituto de Temer, por eleição indireta. Para que não sabe, diretas, neste momento, não é algo Constitucional.

Numa visão macro, Temer nunca foi uma tábua de salvação para o país após o naufrágio do governo Dilma. Enquanto Dilma não era sequer política, Temer é profissional, tanto que a sua capacidade de aglutinar uma base sólida no Congresso foi quase que instantânea. Infelizmente, depois do sucateamento do PT, era necessário alguém que seguisse as regras do jogo e fizesse o país andar, saindo de uma imobilidade que nos seria fatal em pouco tempo. A economia em frangalhos, juros altíssimos, redução dos investimentos, descrédito internacional, enfim, eram fatores que precisavam de (re)ação imediata. Lembro que na época corria um meme na Internet sobre “como era bom ter um presidente que sabia falar o Português correto”, numa alusão ao fato de que Lula era ignorante e Dilma tinha extrema dificuldade em articular suas idéias (tanto que alguns discursos dela são épicos até hoje de tão engraçados). Mais do que isso, expressava a necessidade de alguém que fizesse o que deveria ser feito, visando que o país voltasse a andar. Mesmo sendo alguém tão pouco confiável.

A verdade é que uma mudança antes das eleições de 2018 é muito, mas muito ruim para o país, independente de quem assumiu no lugar da Dilma. Temos uma necessidade extrema de retomada de crescimento, interno e externo, e uma nova troca de presidente joga isso por água abaixo. Era necessário, quem quer fosse no lugar da Dilma, que tocasse a situação até que uma nova eleição nomeasse um novo presidente. Traduzindo em miúdos, que minimizasse os estragos da gestão petista, retomasse a ordem e mantivesse uma “normalidade” até o momento da sucessão. Claro que Temer não estava tendo 100% de acerto, longe disso até, uma vez que os estados quebrados e em situação de calimidade (RJ, para citar um exemplo) impediam essa retomada, mesmo porque a União, também em sérios apuros, não tinha como socorrer ninguém. Mas o simples fato da interrupção dos descalabros petistas e retomada de decisões coerentes era o suficiente a saída do atoleiro e o respiro até as eleições do ano que vem.

Resta saber o que está por vir. Ao parece, não vai sobrar ninguém com o avanço da Lava Jato, que têm mostrado o que todos nós, no fundo, já sabíamos: corrupto ou não, nenhum político em Brasília se preocupa com o povo ou com o país, mas somente consigo mesmo. Some-se a isso ao fato do modelo de governo país, calcado num presidencialismo de coalização, estar completamente esgotado. Nele, mesmo quem quer fazer algo tem de se aliar a quem não quer, e inicia-se o eterno “toma lá da cá” da política. Se não houver renovação deles, do modelo e nossa, voltaremos ao mesmo de sempre. Só que ele já estará muito pior.     

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Existe Cura para a Falta de Educação?


Outro dia estava eu no ônibus, pela manhã, a caminho do trabalho. Saindo do ponto final, todos os lugares estavam ocupados, inclusive os preferenciais (que naquele dia não estavam todos ocupados por passageiros preferenciais). Entretanto, nada impede que estes sejam usados, desde que sejam gentilmente cedidos depois a quem precisa, certo? Nem tanto... A certa altura, pouco depois da saída do ponto final, uma mulher com criança de colo adentra ao veículo. Da subida no ônibus até a passagem dela na roleta, ninguém se coçou para levantar. Pelo contrário, todos pareciam sofrer de algum tipo de cegueira instantânea, onde ninguém via a situação que se desenhava, onde o final certamente se daria com alguém levantando e cedendo o lugar. Depois de alguns constrangedores minutos em que ninguém sequer levantava a cabeça – e o lugares preferenciais continuavam lá, todos ocupados - uma menina na minha frente se levantou e cedeu seu lugar. Minha indignação, que já era grande com a falta de respeito pelas regras sociais, ficou ainda maior quando a referida menina que foi a única a tomar a atitude correta, o fez mesmo estando cheia de bolsas. Com isso, cedi meu lugar a ela e fui em pé a viagem quase toda. Antes que alguém pergunte porque não dei eu mesmo o lugar à mulher com a criança, respondo: antes de bancar o “bom moço”, prefiro acreditar que todos devemos fazer nossa parte, todos devemos ser coerentes, inclusive os “cegos” que estavam sentados nos lugares preferenciais, destinado às pessoas como a mãe e seu filho de colo. Ao meu ver, se antecipar a estas pessoas é encorajar o comportamento errôneo e cínico delas. Além disso, tenho para mim a premissa que mesmo com o transporte cheio e apenas estes lugares vagos, não os utilizo, simplesmente porque alguém que precisará deles mais do que eu, certamente vai utilizá-los.

De um modo geral, ando pasmo com a falta de educação das pessoas. Pior, que tem se mostrado presente em todos os lugares e em todas as situações possíveis. Nas ruas, nos edifícios, nos coletivos, nos elevadores, nas filas, na hora pedir, na hora de informar, na hora de comer, enfim... Trânsito então – que renderia um texto a parte - nem se fala... Palavras ou expressões como “obrigado”, “por favor”, “com licença”, “bom dia”, “boa tarde/noite” cada vez caem mais em desuso... Chega a ser impressionante como está enraizado na cabeça do povo como algumas atitudes absurdas são consideradas normais pela grande maioria. Mas o porquê as coisas chegaram a esse ponto? Acho que uma lembrança minha dos tempos de faculdade pode ajudar na resposta.

Certa vez, durante uma aula de Marketing, onde o tópico era publicidade e propaganda, fiz o seguinte questionamento: “Por que razão a Coca Cola precisa fazer propaganda? Afinal, todo mundo gosta e sempre toma esse refrigerante!”. A resposta foi interessante: “Apesar da concorrência com outros produtos – sucos por exemplo – é a própria necessidade de manter-se em evidência no mercado o fator primordial para essa necessidade. Melhor dizendo, é a própria dinâmica da vida: pessoas nascem, vivem e morrem. Novas gerações chegam e precisam ser informadas sobre a existência do produto, uma vez que pais e mães cada vez mais focam em alimentos saudáveis para os filhos e podem retirá-lo do cardápio da família. Os novos consumidores demandam mais serem “bombardeados” com mídia justamente por terem sido criados onde o refrigerante não era de consumo rotineiro, foi reduzido gradativamente ou até mesmo não consumido.

Trazendo este case para o tópico educação, a analogia é simples: ao que parece, a educação é o refrigerante que está sendo retirado do consumo das novas gerações. E quando se fala em educação, a família é a base da formação de caráter de qualquer indivíduo. Mesmo que não houvessem provas e mais provas dessa afirmação, científicas até, basta olhar para quem tem filhos pequenos. As crianças, quando da fase de formação, são espelhos dos pais em quase todas as suas atitudes. Numa necessidade de se sentir incluída e aceita, a criança procura imitar o que pai e mãe fazem. Com base nisso, pais e mães são agentes fomentadores dos conceitos educacionais que serão tão importantes na fase adulta. Daí a constatação óbvia: aqueles sentados no banco preferencial e sem o bom senso de cedê-los a quem precisava deles, com certeza não tiveram estes conceitos imputados ao longo de sua criação e formação como indivíduos, ou se o tiveram, foi de maneira incompleta ou deturpada.
É claro que nosso país atravessa uma crise sem precedentes nos dias de hoje, mas não é de agora que o conceito de família vem sofrendo fortes abalos. O próprio desequilíbrio de nossa sociedade, com grande desigualdade social, desemprego, falta de escolas, hospitais, moradias contribui de forma significativa para o esfacelamento da família. A impossibilidade de chefe de família de sustentar e manter sua família pode facilmente separar a todos e quebrar este processo de formação do indivíduo. Crianças longe da escola, trabalhando desde muito cedo ou migrando para a marginalidade fatalmente não terão acesso à devida formação de caráter proporcionada pelo convívio familiar tradicional. Mas não é somente nas classes mais desfavorecidas que isso ocorre. Mesmo com acesso a instrução e inclusão social, a própria dinâmica da família tem se “deformado” por diversas razões. Menciono aquela que talvez seja a mais moderna das razões: a Internet, com seu potencial de isolamento – hoje não é raro ver famílias inteiras com a cara no celular nos momentos de convívio – ou também no seu poder informativo, onde pais e mães precisam fazer uma triagem do que pode ou não ser visto pelos seus filhos. Muitas das vezes, a perda desse controle cria situações difíceis de administrar.

Outro ponto essencial de se mencionar talvez seja o senso de impunidade que nosso país tem. É notório que leis e poderes não são eficazes na manutenção dos critérios que baseiam uma sociedade justa para todos. É como se ninguém tivesse o compromisso de fazer o sistema funcionar, respeitasse seus limites e critérios de punição. Por que respeitar algo que não funciona? Por conta disso, o descaso com as regras de convivência social extrapola o âmbito legal, uma vez que se cumprir a lei não é necessário, por que respeitar uma simples placa que diz que se deve ceder meu lugar?

É óbvio que meus argumentos aqui são superficiais frente a um assunto extremamente complexo, com fatores adicionais não mencionados, como religião e preconceito, para citar dois exemplos apenas. O importante era deixar claro que cada vez mais nos importamos mais com o “eu” em detrimento do “nós”. As pessoas não atentam para os reflexos de suas ações, a menos que haja algum impacto para si próprio. Se não, seguem em frente, esquecendo do próximo e tornando a nossa convivência coletiva insuportável, exatamente como ela é hoje.

sábado, 18 de junho de 2016

Ele, O Celular



Que a comunicação move a humanidade, todos nós sabemos. O poder da palavra é imenso, pois é a partir dela que as ações do homem se integram e dão vida a sociedade. A transmissão de conhecimento por meio da comunicação, nas suas mais diversas formas, foi identificada como fator preponderante para o avanço do ser humano, e desde então há investimento maciço nos meios de agilização e amplificação da mesma. Os recursos - naturais ou não - que o homem usa para se relacionar com seus semelhantes são alvo de constante evolução, visando sempre mais e mais rapidez, independente do tamanho da mensagem a ser veiculada.

Tal visão, além de óbvia, é até simplória para descrever o grau de integração da humanidade hoje. Com o mundo unificado pela Internet, são inúmeros os meios disponíveis para a comunicação, encurtando enormemente distâncias e reduzindo o fator tempo. Entretanto, não é raro ver que certos avanços tecnológicos trazem consigo efeitos colaterais, muitas das vezes difíceis de serem combatidos. O marco zero desse “boom” parte da já citada Internet, tendo efetivamente um acesso mais popular e global com os meios portáteis, como smartphones e tablets. Tonar “deslocáveis” os recursos antes amarrados aos PC´s e proporcionalmente ao Notebooks era o “pulo do gato” que faltava. Curiosamente, estes últimos eram idolatrados, quando do seu lançamento, como a solução à imobilidade dos PC´s, mas bastou telefones assumirem suas funções para estes também passassem a ser classificados como inconvenientes neste quesito e a “pesar” na mão das pessoas.

Depois dessa reflexão, fica fácil de entender que o personagem central dessa história é o celular, que apesar caráter facilitador, complicou muito em outras coisas. O comportamento das pessoas, com a chegada deste “brinquedinho”, simplesmente foi virado de cabeça para baixo. E não é exagero, bastando um rápido olhar a sua volta: é engraçado como nosso povo sempre foi aberto à modas, quaisquer que fossem, ainda que o celular não possa ser encarado como moda. Trata-se de uma revolução tecnológica importantíssima, mas que não tardou a tomar ares de moda por conta de questões como inclusão social e como medida de status. Isso sem mencionar seu poder de convergência, ao agregar funções: basta lembrar que ele conseguiu  derrubar um equipamento que há pouco conseguiu se reinventar e se popularizar, a boa e velha máquina fotográfica. Tão logo o filme deu lugar ao digital, estas caíram no gosto do povão, mas o celular acabou com a festa, fazendo tão bem o que elas faziam e com muito mais possibilidades, como programas de edição de fotos, por exemplo. Outro equipamento, mais novo que as máquinas digitais, mas que também sucumbiu perante nosso amigo celular foram os players de MP3 (que explodiram no mundo graças a Apple, via IPOD). Hoje, também têm suas funções incorporadas a gama de talentos de qualquer smartphone.

Ainda que de maneira resumida, está aí a explicação desse sucesso. O problema é o aspecto psicológico da questão, centrada no fato de que o dia a dia das pessoas agora gira em torno do celular. Esquecer o celular em casa, por exemplo, é algo que afeta de maneira significativa a rotina das pessoas. Fazer ligações telefônicas de maneira móvel é a premissa básica desses aparelhos, mas a verdade é que a grande gama de recursos, somada ao poder de conectividade, nos torna escravos deles: redes sociais, agenda, fotos, documentos, jogos, música, vídeos, TV, tudo está lá e nos serve em algum momento do dia. Os mais jovens então, hoje inseridos num contexto social muito mais virtual do que pessoal, são os mais afetados, tamanha a dependência que vemos hoje. Eles, na sua esmagadora maioria, não querem possuir um telefone: querem algo que lhes dê status e inclusão em seu círculo social, algo que em outras gerações era obtido por meio do vestuário, por exemplo.

Entretanto, de um modo geral, esta inclusão social proporcionada gera um efeito colateral: a dispersão (social). As pessoas usam todo o seu tempo livre, independente do lugar (atenção a isto), enfiadas nos seus mundos particulares, cujo portal de entrada é o celular. O comportamento das pessoas foi afetado de tal maneira que para onde se olhe tem alguém absorto na tela de um deles. Com isso, a comunicação presencial cada vez mais cede espaço para a comunicação virtual, o que no fim de tudo, afasta as pessoas. Além disso, outros desvios comportamentais negativos surgem: pessoas em pé em ônibus pondo em risco sua segurança em ocupar uma das mãos para usar o celular; falta de educação ao tentar usá-los em ambientes lotados, como o Metrô na hora do rush; toques altos e inconvenientes, passando por jogos e músicas sem uso do fone de ouvido, isso mencionar a indelicadeza de manter o aparelho ligado a até mesmo  atende-lo em reuniões, salas de aula, teatros, cinemas, em desrespeito aos demais e etc. Outro efeito nefasto é a dependência de checar a todo o momento redes sociais e congêneres, chegando a um ponto de vício em alguns casos, por incrível que pareça. Resumindo, o celular “come” o seu tempo, num apetite que parece não ter fim.

Por último, acho importante mencionar o aspecto evolutivo e econômico. Os avanços tecnológicos hoje têm ritmo acelerado, e eletro/eletrônicos estão bem no centro desse processo. O lançamento de hoje é o obsoleto de amanhã, mas mesmo assim as pessoas tentam acompanhar este ritmo. Independente dos valores altos frente aos aparelhos e seus recursos, as pessoas não medem esforços para adquirí-los, mesmo que não haja a necessidade de compra, apenas de satisfação pessoal e do senso de modernidade que a sociedade prega. Em Marketing, é o chamado duelo entre a “necessidade” e o “desejo”: pode não haver a necessidade em si, mas a mídia bombardeia e imputa que você precisa (necessita) daquilo, criando-lhe um desejo de compra praticamente irresistível. Completando o processo, o reconhecimento de status social que aquilo lhe dá reforça a decisão de compra, mesmo sem necessidade. No fim das contas, o modelo de ontem ainda funciona, só ficou velho cedo.


Talvez seja muito importante ressaltar que a tecnologia não é algo ruim: o problema é como as pessoas se comportam diante dela. Temos de ter em mente que a tecnologia serve para reduzir nosso esforço: a partir do momento em que gera um esforço adicional para acompanha-la, alguma coisa deu errado. 

sábado, 14 de maio de 2016

(Mais) Um Novo Começo

Depois de muito tempo, voltei a atividade! Mais uma vez, a falta de tempo foi cruel, mas é sempre bom voltar  a escrever! Já dei uma arrumada no layout, e em breve volto a publicar. Alguns textos estão engavetados há algum tempo, precisando apenas de uma revisada para poderem ver a luz do dia. Aguardem!

sábado, 21 de setembro de 2013

Música Para Quem Precisa


Sendo muito honesto, não consigo entender o comportamento do público brasileiro com relação à música, em especial a brasileira. O brasileiro em si não é um ávido consumidor deste tipo de arte, mesmo sendo um povo com uma musicalidade variada e muito rica culturalmente. Este fraco envolvimento é muito diferente dos americanos, por exemplo, que sempre tiveram um mercado forte, com números de vendas significativamente maiores que os nossos. Se por lá os estouros de vendas são comuns – mesmo com a retração do mercado na década passada com a chegada do MP3 e da pirataria – por aqui as coisas sempre foram muito pontuais, com um ou outro artista chegando à celebrada casa do milhão de cópias vendidas. Independentemente dos cenários econômicos diferentes, com influência direta nos valores de discos e shows, o brasileiro tem apego a diversão gerada pela música, mas não pela cultura em si que ela proporciona.

Entretanto, não posso deixar de mencionar a questão financeira que, ainda não seja o único fator, tem peso importante nesse cenário. Não é difícil descobrir o quanto a cultura no Brasil ainda é cara e não definitivamente chega a todos. Cinemas, teatros, shows, livros e etc. são inacessíveis às massas por conta dos altos preços (ainda mais depois da chegada da equivocada meia entrada para os eventos, que elevou ainda mais os encargos de produtores e tornou tudo ainda mais inviável). Com isso, grande parte da população não dispõe de renda suficiente que cubra o aceso a qualquer modalidade cultural que seja. Por outro lado, o brasileiro não tem hábitos culturais embutidos em sua formação, e daí fica mais difícil sentir falta daquilo que nunca ou quase nuca se faz, correto?

Voltando à música em si, usarei dois exemplos que são expoentes da moda, com seus sucessos repetidos à exaustão nas mídias: Naldo e Anitta. Apesar das músicas pobres e culturalmente nulas, proporcionam a diversão citada no primeiro parágrafo. São os famosos artistas “nada”, ou seja: vieram do nada e daqui há pouco ao nada voltarão, pois o brasileiro é assim, desapegado. E quando digo isso, quero dizer que o público não sente falta do artista, pois ele simplesmente vai passar de uma moda para outra, sem nenhum trauma nessa transição. O curioso é o acontece no período intermediário entre a ascensão e a queda: exposição total, músicas repetidas incessantemente, valorização de shows e aparições, num processo cuja duração pode variara entre o breve e o prolongado, mas que definitivamente é finito. O detalhe é que, mais cedo ou mais tarde, o público se cansa e logo se vira de novo para o que está surgindo de novo. Nesse meio tempo, vale ressaltar que o brasileiro não se incomoda em apelar para a pirataria, com produtos de menor custo e qualidade, cujos fins dão a ele o mesmo prazer do produto oficial: apreciar, mesmo que superficialmente, obra do artista. Outro ponto que justifica a opção do brasileiro pelo “piratão”, fora os altos preços dos produtos oficiais, é o fato que ele quer apenas o sucesso ou os sucessos do momento. Se o artista lançou um disco e 2 ou 3 músicas estouraram, o público compra o disco por causa delas, sem se interessar pelo que haja a mais no CD ou DVD. Aí entra o fator cultural, pois ele não se aprofunda no trabalho como um todo, ele quer é diversão, e os 3 sucessos isolados vão proporcionar isso.

Naldo e Anitta ainda ficarão aí por um bom tempo, até que o consumo exagerado chegue ao limite, sugando, em pouco tempo, toda a novidade deles e deixando apenas os restos de algo que já saturou e não serve mais. Em outras palavras: o público não vai dar sustentabilidade e continuidade ao trabalho deles, mantendo-os no topo. Vão cair no esquecimento e outra moda tomará o lugar. Não sei dizer exatamente se os artistas têm noção desse prazo de validade ou se têm expectativa de terem carreiras duradouras. Entretanto, é certo que nenhum deles tem um planejamento de Marketing que evite a superexposição e o consequente cansaço do público, pelo contrário: se aproveitam ao máximo para se ganhar o máximo de dinheiro possível. Se existe a oportunidade de se fazer 4, 5 shows em uma única noite (como isso é possível?) eles vão com tudo. Já vi estes artistas dando entrevistas contando que dormem, em média, de 4 horas por noite devido as agendas lotadas.

Ainda na questão dos shows, os artistas não tem o conceito de turnês propriamente ditos. Ele contempla o músico na estrada divulgando seu trabalho com um show específico por um determinado período de tempo – ou seja, tudo de acordo com um planejamento e foco. Claro que estamos falando de investimento, mas que gera um espetáculo completo e retorno ao próprio artista, pois o público se vê beneficiado com algo que valeu o preço do ingresso. Isso não ocorre no esquema “x” shows por noite, onde ele simplesmente sai de um palco (sem nenhum aparato) numa boate e vai para outro lugar logo em seguida, com o que deveria ser um show, transformado numa aparição relâmpago. Isso sem mencionar que quem o assiste por último nesta jornada pega um artista cansado que, com certeza, não tem mais como dar tudo de si.

Um exemplo mais válido ainda para o que mencionei sobre efemeridade do sucesso, foi a onda de grupos de pagode que varreu o Brasil (principalmente Rio e São Paulo) na década de 90 e que foi um verdadeiro inferno para quem não apreciava o estilo. Chegava a ser impressionante a quantidade de grupos surgidos naquela época, onde alguns realmente ganharam muito, mas muito dinheiro. Olhando o mercado hoje, alguns guerreiros daquela época ainda tentam resistir (Raça Negra continua na ativa, o Molejo ensaiou um retorno, os irmãos Vavá e Márcio iam fazer o mesmo com o Karametade e por aí vai) e mesmo com público cativo para este estilo, o cenário não é mais o mesmo. A verdade é que aquele enxame de grupos que inundavam as lojas com discos e mais discos de pagode, simplesmente desapareceu, de uma hora para outra. É claro que não foi exatamente assim, mas a onda simplesmente não foi duradoura e a fonte secou. E aí vem a questão: alguém lembra deles? Ou melhor, alguém sente falta? Garanto a você que eu não.
Só de curiosidade, tentei me lembrar ao máximo das febres que já passamos no nosso mercado musical: do you remember?
RPM, É o Tchan, Terra Samba, Viny, Mauricio Manieri, Pepê e Neném, Rouge e muito mais...  



domingo, 12 de agosto de 2012

DETRAN!

Mesmo com todo o avanço econômico e social dos últimos anos, todo mundo sabe que o Brasil ainda é um país de terceiro mundo. A grande questão é se um dia ainda teremos uma condição superior em termos de desenvolvimento, chegando ao mesmo patamar das grandes potências mundiais como Estados Unidos, Alemanha ou Japão. Como isso depende de uma combinação (histórica) de diversos valores como educação, economia, política, recursos naturais e etc., para o Brasil chegar lá é preciso fazer a história do jeito certo – e a nossa até então está mais do que errada. Cá entre nós, sendo muito franco, acho que nunca acontecerá essa evolução: as razões são muitas e motivo para muitos outros textos mais, que ficarão para o futuro. Por ora, vamos falando do nosso dia a dia, que é o que nos resta num país tão bagunçado, mal administrado, cheio de corruptos, gente mal educada, mal alimentada e sem teto entre outros adjetivos mais. Pode parecer pessimismo exarcebado, mas em todos os setores de nossa sociedade vemos reflexos dessa má formação social. Sendo mais específico, dentre uma gama muito grande assuntos, quero falar do trânsito. Sim, trânsito. Isto é um fator social tão importante e tão sério, que deveria ter mais atenção do que tem hoje em dia. Na realidade, a atenção até ele tem, mas com certeza não é séria como deveria. Engenharia de trânsito, engenharia de tráfego, falta de fiscalização, legislação deficiente/inexistente, corrupção, malha rodoviária em péssimas condições e etc: viram quanta coisa? Entretanto, em meio a esse mar de coisas ruins e não funcionais, os DETRANs tem se sobressaído em termos de organização e infraestrutura, somente comparadas ao fisco. O motivo? Simples: quanto melhor a estrutura, mais dinheiro se arranca do contribuinte. Se esse dinheiro será usado de volta em seu benefício já são outros quinhentos...

Esse assunto me chamou a atenção em específico porque passei recentemente pela via crucis que é tirar uma habilitação de motorista. Antes de falar no que ocorre hoje, vamos ser justos e voltar no tempo onde as coisas não eram tão “bonitas” como atualmente. Não sei exatamente há quantos anos atrás, mas me lembro de que o DETRAN era uma bagunça, onde a falta de integração de informações tornava muito fácil à ocorrência de falhas e de fraudes. Quem não se lembra da facilidade que era “comprar” uma carteira de motorista? Como muita gente já dirigia (tranquilamente) sem habilitação, era mais fácil comprar direto a carteira para entrar na legalidade, do que ter de fazer auto-escola e seguir o trâmite da época para fazê-lo. Outro detalhe era que o próprio processo dentro da auto-escola era corrido, ou seja, parte teórica e prática eram feitas de uma única vez, sendo que somente depois se seguiam as provas no DETRAN. Sem um controle rígido, era impossível atestar o cumprimento de todas as etapas de treinamento pelo candidato, comprovando sua devida “educação” em acordo com as leis de trânsito vigentes na época. Para completar, a corrupção no momento da fiscalização era regada à base de “cafezinho” e “cervejinha” para os guardas, isso sem falar no “sumiço” de multas no sistema do DETRAN. Os anos passaram, o DETRAN se informatizou, se interligou a nível Brasil, enrijeceu a regulamentação para criação e funcionamento das auto-escolas, instituiu o Código de Trânsito Brasileiro e o pior de tudo, criou a “fábrica de multas” através de pardais e radares, que geram milhões ao Estado. Em resumo, o DETRAN hoje conta com uma estrutura que fiscaliza e tira dinheiro do contribuinte, mas que de maneira nenhuma contribui efetivamente para uma educação do motorista, bem como não pune o motorista infrator, apesar dos artigos severos da lei. Em miúdos, não vale o que está escrito.


Gastei praticamente o um ano que o DETRAN concede, desde a abertura do processo, para concluir a retirada da habilitação. Tenho de ser sincero em admitir que isso ocorreu por minha culpa e problemas pessoais na época, mas mesmo assim o processo é muito demorado e – pasmem – improdutivo e cansativo. Diferentemente do passado acima citado, o processo dentro da auto-escola consiste uma primeira fase onde o candidato assiste uma grande quantidade de aulas teóricas (vídeos), repetidas vezes (que variam de acordo com a duração do vídeo frente à quantidade de horas aula para aquele tema). Já temos a primeira pergunta: o que nos garante que assistir a 10 vezes o mesmo vídeo, será a certeza de alguém irá dirigir plenamente, ou, pelo menos, ter plena ciência das leis que o governam? O próprio nome diz: auto-escola. Se escola é lugar de aprender, como é que se aprende apenas vendo televisão, sem uma aula sequer na sua concepção original, ou seja, com alguém ensinando? O mesmo instrutor que ensina a prática no carro deveria ensinar a teoria, transmitindo seu conhecimento em paralelo a qualquer que seja o recurso educacional complementar utilizado. Antes que eu me esqueça: a introdução do registro de presença via digital (dedo mesmo) garante que você vai assistir todas as aulas necessárias para a formação teórica, apesar do equívoco educacional acima citado. Se não colocar o dedão lá, a quantidade de aulas não é atingida e você não avança em hipótese alguma, pondo um fim aquela antiga prática de comprar a carteira sem fazer uma aula sequer. O mesmo ocorre já nas aulas de direção. Depois de dormir em inúmeros vídeos educativos, sem uma aula de verdade sequer, sem uma orientação formal de instrução, o candidato já vai ao DETRAN fazer a prova teórica. Verdade seja dita, apesar da pobreza de instrução que é a fase teórica, é de uma lógica gigante só permitir que só faça a aula prática quem já passou na parte teórica.


Passada essa fase, as aulas práticas já são dadas com base no novo código de trânsito, que no papel é simplesmente lindo, algo de 1º mundo. Nessa hora, surgem dois problemas: 1º) no trânsito, seja pela auto-escola, seja de carona, ou seja, dirigindo, você percebe que ninguém faz nada do que você está aprendendo! Chegar a ser absurda a diferença entre o que você aprende como certo e o que se pratica no dia a dia. É fácil se chegar à conclusão que mesmo a nova safra de motoristas não segue o que é ensinado, mesmo com novas regras. 2º) Não há legislação punitiva para quem não cumpre a lei (novidade!). A mídia noticia todo dia casos e mais casos de crimes no trânsito que ficam impunes porque nossas leis têm mais brechas e furos do que se pode imaginar, o que gera uma clara sensação de que, haja o que houver, nada acontecerá a quem mata ou mutila no trânsito. Passada a fase de assistir TV, chega a hora da prática. Lembrando: só vai sentar ao volante quem passou na prova teórica. Se não passou, volta ao início e assim vai, até conseguir passar. O próprio sistema do DETRAN vai identificar que o candidato tem de reiniciar o processo, e não o deixa avançar. Voltando à prática, as aulas se dividem em diurnas (maioria) e noturnas. É óbvio que ali o instrutor vai te mostrar o mundo perfeito de Alice, onde você utiliza TODAS as sinalizações e TODOS os procedimentos possíveis e imaginários, fazendo de você um motorista PADRÃO. Difícil é fazer isso olhando para os lados, vendo motoristas barbarizando, sendo que eles mesmos já estiveram no seu lugar um dia...

Concluídas todas as aulas, a auto escola vai te habilitar a fazer a prova prática. É difícil, mas muito difícil mesmo, entender como o DETRAN avalia quem passa ou não na prova. Num primeiro momento, é até simples: você senta no carro, faz o ritual padrão e passa (ou não). Mas o que é difícil de entender nisso? Justamente o fato de você adquire o direito de dirigir fazendo uma coisa ensaiada. O processo de avaliação consiste em você fazer um trajeto exatamente IGUAL para qualquer candidato, independente do dia ou hora em que ele esteja fazendo a prova. Aí eu pergunto: o trânsito do dia a dia é previsível e ensaiado? Mas serei mais claro: fazer uma baliza (tirar e colocar o carro na vaga) e fazer um percurso retangular, só virando para a direita (só precisa ligar a seta), andando nas mesmíssimas velocidade e marcha (respectivamente 40 km e 3ª), correndo o risco de, no máximo, ter de parar num único sinal! A única chance de você ser reprovado (sem contar, ÓBVIO, se você não souber mesmo dirigir) é não conseguir botar e tirar satisfatoriamente o carro da vaga em 4 minutos ou esquecer uma seta na hora de virar ou mudar de faixa. É claro que tem gente que passa e tem gente que não passa, mas é mais certo ainda que passa muita gente que não dirige patavina (mas ensaiou direito) e muita gente que dirige, mas se deixou levar pelo nervosismo e comete um erro tolo. E é aí que me pergunto como é que tem tanta gente que dirige pior que o Mr. Magoo (alguém aí lembra?) e com a carteira na mão. E a resposta é simples: ensaiou direitinho!

 Ah, quase me esqueço: se você não passou, paga um novo DUDA para fazer o novo exame. Agora, se você não passou e o seu um ano de prazo expirou, é melhor ainda: paga o novo DUDA e vai ter de fazer TUDO DE NOVO!

segunda-feira, 12 de março de 2012

American Idol - Magic Cyclops

Esse pancada foi o que houve de mais legal e engraçado nesta morna 11ª edição do American Idol. Pena que não achei nenhuma versão legendada, mas só com as imagens já dá para sacar a figura... sensacional!!!! Atentem para o desempenho dele no "Air Guitar" e a música do Hulk (seriado, veio pacas) no final.