segunda-feira, 30 de julho de 2007

Que Medalha Levou o Nosso Pan?


É... acabou o pan. Nada mais justo, neste momento, do que se fazer um balanço deste evento histórico. Antes de mais nada, quero deixar claro que não fui e nem sou contra o pan ou eventos deste tipo na cidade. Apenas tenho pé atrás nas coisas erradas que acontecem e que não são corrigidas por que o brasileiro tem essa mania de fazer tudo nas coxas. Isso sem falar na demagogia política – que não é exclusividade nossa, em todo o lugar do mundo acontece isso – mas que é agravada pelo primeiro item. Ao juntar oratória barata e falta de foco e responsabilidade das autoridades, temos ai um evento no Brasil. Pelo grau de importância, abertura e encerramento deveriam ter sido mais elaborados. Até mesmo pelo fato de nosso desempenho ter sido tão bom em termos de medalhas, deveríamos ter tido um fechamento com chave de ouro, entretanto...

... o encerramento, conseguiu ser mais feio do que a abertura (se o quesito fosse superação, ganharíamos ouro!). Novamente tivemos samba (desta vez com um DJ mixando ao vivo), roupas feias, nenhuma pompa ou tecnologia que enfeitasse a festa, um número bisonho para homenagear os voluntários, novamente os discursos inflamados dos organizadores (teve o “OOOOOiiiiiiii” de novo!), vaias ao Lula, desta vez acompanhadas de outras para César Maia e Sergio Cabral, uma música pavorosa cantada pelos Caimmi (completamente fora do contexto), Lenine e também Fernanda Abreu... bem, esta merece um comentário a parte.
Gostaria que alguém me dissesse qual a relação entre um evento esportivo, transmitido para o mundo todo, num país que tem uma imagem negativa tremenda no exterior e precisa muda-la, que quer sediar as olimpíadas de 2016, com uma cantora exclamando os seguintes versos: “É som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado”. Para quem precisa mostrar que aqui não se tem apenas favela, funk, samba e carnaval... péssimo começo. Outro detalhe que me inquieta até hoje: porque desenterrar músicas da idade da pedra e marchas de carnaval para um evento como esse? Na abertura tivemos isso, com o mesmo acontecendo aqui. Ainda que com batidas funk (putz!) Fernanda Abreu cantou coisas como “Cabeleira do Zezé” e outras tão velhas quanto. Nada contra, mesmo porque estas marchas fazem parte da nossa história, mas ... Para não falar apenas de derrotas, a coisa mais bonita do encerramento foram os fogos, conforme a foto acima. Apesar do que, isso a gente já vê no ano novo...

Quanto ao evento em si, nossos atletas retratam bem o que é o Brasil: enquanto em algumas modalidades temos patrocínio e apoio (vôlei e futebol), o que faz que talentos sejam valorizados de forma decente e incentivados a evoluir mais e mais, em outras temos fenômenos que despontam baseados apenas no próprio suor, e que só são reconhecidos quando conseguem uma conquista significativa. Eu nunca tinha ouvido falar nesse rapaz que ganhou a maratona masculina ontem – e de forma brilhante, diga-se de passagem – mas garanto que ele não chegou lá graças a terceiros. Aliás, esse é o motivo pelo qual ainda ficamos sempre atrás dos americanos, cubanos ou asiáticos: o incentivo ao esporte, desde o berço. O dia em que fizermos isso, veremos a diferença, inclusive com reflexos na parte social.

Resta saber agora se o pan será página passada ou se realmente terá algum efeito significativo em nossas vidas. Os jornais de hoje já estampam nas manchetes perguntas do tipo “Como fica a segurança do Rio com o fim do Pan?”. Será que voltaremos a guerrilha urbana que vivíamos, ou agora poderemos andar na rua mais tranqüilos como andamos enquanto nossos heróis competiam?

Quase me esqueço: muito estranhamente, somente a Band transmitiu o encerramento, que foi completamente ignorado pela Globo (que exibia o abominável, asqueroso e repugnante Fausto Silva) e pela Record, que seguiram com suas programações normais... será que elas já sabiam que ia ser ruim?

Nenhum comentário: