quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O Negócio é "Acusticar"

Não é novidade nenhuma que o formato acústico (principalmente o da MTV) tem duas finalidades básicas: ou é a tábua de salvação para carreiras em declínio, ou é a chance de atingir uma parcela nova de público, diferente do habitual. Apesar de curtir muito alguns trabalhos feitos aqui e lá fora também, tenhos algumas restrições ao formato e ao modo de como as pessoas percebem estes trabalhos. Entendam bem: não sou contra, mas acho que o glamour da coisa sobrepuja o conceito real, que é voz e violão.

Com base nisso, já podemos concluir que nem todo mundo está apto a gravar um acústico. Ao meu ver, a música praticada pelo artista ao longo da sua carreira precisa de ter uma certa “habilitação” para tal, e daí, é comum vermos alguns disparates. Aliás, foi por causa de um deles que resolvi escrever este post: o unplugged do Korn, banda norte americana de New Metal. Para quem não conhece o grupo, o seu parente mais famoso de estilo é o Linkin Park. Dá para imaginar aquela gritaria toda do Linkin Park num acústico? Não? Com o Korn é a mesma coisa. E ficou uma merda.

Apesar de não haver casos desta magnitude aqui no Brasil, também temos uma certa forçassão de barra em alguns artistas. O formato acústico aqui é bem aceito e já conseguiu ressucitar alguns “defuntos” como o Capital Inicial e Titãs, por exemplo. Como já citei aqui, conheço acústico no formato voz e violão, mas a produção e grandiosidade de alguns deles é impressionante, descartando por completo este conceito. Mas nem mesmo esta grandiosidade consegue disfarçar, em alguns casos, que o resultado final é nulo, ou então muito inadequado.

Na minha concepção, tivemos:

Acústicos excelentes : Ira! (ótimo repertório), Cássia Eller (muito espontânea), Titãs (ressucitaram em grande estilo), Capital Inicial (também muito bom repertório), Kid Abelha(muito bom, apesar de algumas enrolações com canções de terceiros – Brasil/Cazuza, por exemplo) e Lulu Santos (Maravilhoso do início ao fim)

Acústicos medianos : Cidade Negra (no fim das contas não mudou muito não), Paralamas (precisava de um naipe de metais?), Engenheiros do Hawaii (mediano justamente porque Humberto Gessinger nunca soube trabalhar ao vivo o excelente repertório que ele mesmo compôs), D2 (rap + samba = rap só na voz e instrumental samba puro), Ultraje a Rigor (o som ficou uma porrada só, com direito até a solo de bateria!!!)

Acústicos equivocados: Charlie Brown (É a mesma coisa do Korn, não colou), Zeca Pagodinho (Meu Deus, que diferença fez?), Art Popular (sem comentários).

Três acústicos que eu queria comentar a parte:

Lobão – É um hipócrita, pois desde que rompeu com a grandes gravadoras, viveu criticando quem fazia acústico. Quando o dinheiro falou mais alto, não pensou duas vezes em fazer e ainda se achar certo. Tem uma obra interessante, mas que não tem muito haver com o formato, a menos que focasse em seu material mais experimental da sua discografia, a partir de 1995 (CD “Nostalgia da Modernidade”), onde flertou mais com o samba e MPB. O único poblema é que seus grandes hits se encontram na fase anterior, a mais rockeira. Mas nada disso importa, pois o resultado ficou uma droga também, salvando-se uma música aqui e ali, e só.

Legião Urbana – Tinha condição de fazer o acústico dos acústicos, mais o resultado ficou mais parecido com um grande ensaio. Gravado em 1992, época em que não se sonhava com a indústria do acústico, a MTV e a banda fizeram algo informal e desprentesioso, com direito a um Renato Russo cantando 3 músicas em Inglês totalmente dispensáveis e mais uma do Menudo (desculpem o palavrão). A banda ainda promovia o album “V” (1991), que continha músicas maravilhosas (apenas 3 foram executadas), isso sem contar os quatro albuns anteriores, também recheados de belas músicas: se melhor planejado e com as músicas certas, teria sido um absoluto clássico.

Sandy & Júnior – Pelo menos vão acabar depois do acústico. Graças a Deus!!!

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