sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Esse Também é o Cara: Gabriel O Pensador

Taí um cara que eu admiro e reparei que infelizmente anda meio sumido... Mexendo nos meus CD´s outro dia, achei os discos dele e me toquei disso. Já faz um bom tempo que não o vejo na TV e nem nas rádios, que de certo modo sempre abriram espaços para suas músicas. Entretanto o mercado é assim, toca a música nova da Perla (que é uma Merda - viu, até rima!) e esquece de caras como o Gabriel O Pensador.

Com 7 albuns nas costas - seu último foi "Cavalheiro Andante", de 2005 - Gabriel construiu uma carreira de sucesso com o seu pop rap, onde as letras misturam sarcasmo, humor, realidade e críticas ácidas a diversos setores da sociedade, mesmo sendo bem nascido e criado na zona Sul do Rio de Janeiro. Aliás, Gabriel sempre foi alvo de críticas da ala mais radical do rap nacional por conta de sua condição social e pela postura mais pop do som, que não é exatamente a mesma coisa de um Racionais MC´s, por exemplo. Na minha opinião, Gabriel consegue abraçar o rap com maestria, com letras espetaculares que trazem situações diversas, de maneira mais simples para o grande público, usando muito bom humor e ironia. Mesmo assim, Gabriel conseguiu momentos pesados em carreira, como em "Tô Feliz (Matei o Presidente)", que consta no seu primeiro CD, de 1993, e que foi sumariamente censurada nas rádios, pois tratava nada mais, nada menos, do assassinato do então Presidente da República Fernando Collor de Mello. Este CD também tem outros momentos ácidos, como "Indecência Militar" e "O Resto do Mundo", que retrata a vida miserável de um mendigo. Apesar de ter conseguido popularidade, Gabriel solta em 1995 o segundo disco, sendo o seu CD mais "underground" até hoje, mais voltado ao rap pesado e com letras mais sombrias. Particulamente, acho o melhor disco dele, pois conta com temas sensacionais como "Mentiras do Brasil" (a melhor música dele!), FDP3, "Filho da Pátria Iludido" e "Faça o Diabo Feliz", sua música mais "down", digamos assim.
Não sei se de propósito ou não, mas seu CD seguinte, "Quebra Cabeça" (1997), veio muito mais alegre e pop e foi o CD mais vendido de toda a sua carreira (1,5 milhões de cópias!). Puxado por "2345meia78", que tocou nas rádios a valer, e foi um sucesso. "Nádegas a Declarar", de 1999, repetiu a fórmula, foi bem, mas não repetiu o sucesso. "Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo)", de 2001, trouxe uma mudança no som: a substituição dos samples por uma banda com guitarra, baixo e bateria. Essa mudança mostrava a antenação de Gabriel com o que rolava lá fora, onde os americanos do Cypress Hill faziam a mesma coisa, para citar um exemplo.

2003 trouxe o esperado "MTV Ao Vivo", que registrou a turnê de "Seja Você..." e gerou excelentes CD e DVD. O carro chefe foi a continuação de "Retrato de um Playboy" do primeiro disco. A "Parte II", na minha opinião, ficou ainda melhor que a primeira! Por fim, "Cavalheiro Andante" simplesmente passou 2005 desapercebido, apesar do bom single "Palavras Repetidas", que tinha o sample "Pais e Filhos" do Legião urbana no refrão. Verdade seja dita, esse é o disco mais fraco de Gabriel até agora.
Apesar de tudo, Gabriel é um talento que não pode ser ignorado, principalmente agora que o Rock nacional não é nem um décimo do que foi nos 80/90 (simplesmente conta-se nos dedos de uma mão o que presta), o Funk continua aí a toda e o pagode infelizmente ainda não morreu. Resta saber se ainda existe espaço para ele no meio de tanto lixo musical, mas um novo CD seria mais do que bem vindo: pelo menos para mim!

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