sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Carnaval é Sempre Carnaval


Com um certo atraso, deixo aqui minhas impressões sobre o Carnaval desse ano. Não sou fã de Carnaval pois acho tumulto demais e, se não viajo, fico em cassa curtindo um churrasquinho e vendo os desfiles pela TV. Aliás, todo ano tento assistir da primeira à última escola nos dois dias, mas nunca consigo pois o sono sempre chega antes. Acho um barato todo aquele espetáculo de cores e luzes, mas o problema é que para mim, no fim das contas, que samba enredo é tudo igual.

Fiquei feliz por mais uma vitória da Beija Flor, que mais uma vez veio muito bonita (embora eu não tenha visto o desfile em si, pois eu dormi... Tive de me contentar com o compacto mais tarde, no mesmo dia). Flamenguista que sou, acabo tendo afeição a escola, embora, como no futebol (onde não conheço escalação), não saiba uma linha sequer do samba enredo. Pelo que li, muitas escolas reclamaram de mais um título da BF, alegando a tradicional "marmelada", isso sem falar no processo relativo ao Carnaval passado que ainda está rolando na Justiça. Entretanto, o que poucos sabem é que a escola de Nilópolis tem uma estrutura invejável, trabalhando como uma verdadeira empresa ao longo do ano para construir seu desfile. Quando falo empresa, falo de um processo criativo e de produção onde o envolvimento de todos é maior do que o usual, criando uma sintonia da comunidade e dos responsáveis que resulta no espetáculo que é visto na Sapucaí. Carnaval é brincadeira, mas para produzi-lo, é necessário levá-lo a sério, e isso a BF o faz.

Achei sensacional o fato da Viradouro e toda a arrogância do seu carnavelesco (Paulo Barros) amargarem um 7º lugar, o que a deixou de fora do desfile das campeãs amanhã a noite. Li mais algumas reportagens e esse cidadão ainda teima em defender aquele carro alegórico bisonho em nome de sua suposta genialidade. Embora seja realmente um carnavalesco marcado pela inovação, limites devem ser respeitados. Mexer com memórias desagradáveis numa festa como essa (o que já é um perigo) sem muito, mas muito bom senso, é suicídio. Pior foi posar de vítima e colocar pessoas amordaçadas no carro que foi refeito por conta da liminar da Justiça, visando retratar a sua "falta de liberdade de expressão". Ridículo.

As modelos, sempre presentes no Carnaval e a espera de uma oportunidade de aparecerem, também compareceram com suas bizarrices: uma operou o olho para virar Japonesa e uma outra colocou um tapa sexo tão minúsculo que ela dizia que estava lá, mas que ninguém via (!). Coisas de quem precisa dos seus 15 minutos de fama...

Pobre é uma merda: mesmo estando nela, sempre dá um jeito de se atolar ainda mais. Um cidadão construiu uma balsa com garrafas pet e ficou ancorado no mangue da avenida Pres Vargas, bem em frente ao Sambódromo. Pelo que eu pude entender, o cara não via nada (o nível do canal é mais baixo que a pista da avenida) e ainda navegava em águas de esgoto(!). Mas deu duas entrevistas para a Globo.

Por falar em Globo, foi brabo aturar o Dudu Nobre e seu Metrônomo (relógio que mede o tempo musical produzindo pulsos de duração regular e que pode ser utilizado para fins de estudo ou interpretação musical) medindo os batimentos e ritmo da bateria das agremiações. Vai ser preciso assim no inferno...

No fim das contas, tudo foi mais do mesmo: escola de samba, blocos e mais blocos, festa em Salvador, Olinda e etc. O pior é que o Carnaval sempre encobre nossas crises políticas e/ou mutretas em andamento. Nesse ano não foi diferente, pois estamos em plano curso do escândalo dos Cartões Corporativos, onde nossos políticos andam gastando em viagens, free shop, lojas chiques e restaurante caros, tudo com o dinheiro público... Com tudo na normalidade do Brasil, o que importou para mim nesses 5 dias de descanso foi a inédita chuva que castigou o Rio nesse período. Como gosto de chuva e frio, ficou melhor ainda. Será que em 2009 vai chover, dar Beija Flor de novo e ter escândalo político?

Nenhum comentário: