quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O Futuro Digital Não Está na TV

Passados 3 meses da implantação da TV Digital no Brasil, já ficou claro aquilo que todo mundo já sabia: o processo de transição vai ser caro, traumático e demorado. Nestes 3 meses, o Paulista (nós aqui no RJ só devemos começar em meados do ano) ainda não tem a sua disposição um conversor barato e nem toda a grade das emissoras com sinal de HD. Ou seja, o cidadão que eu vi numa matéria de telejornal há pouco tempo, que comprou TV e conversor numa tacada só, gastando uma pequena fortuna, não está vendo quase nada digital, mesmo porque as emissoras ainda não conseguiram trocar seus equipamentos para outros mais modernos e que gerem a devida imagem e som. Resumindo: até que todos se atualizem, vai demorar...

Mas outro fator tem influência no sucesso (ou não) da TV digital: a oferta e a qualidade dessa oferta da programação. Já comentei aqui que teremos não TV Digital, mas Lixo Digital, tamanha a pobreza televisiva em nosso país. No mesmo post, comentei da opção da TV por assinatura, melhor em quantidade e qualidade, porém inacessível a todos em função do custo. Num país pobre e f***** como o nosso, poucos podem pagar. Para se ter uma idéia, em Junho/2007 o número de assinantes de TV fechada chegava a quase 5 milhões, sendo que a população Brasileira gira em torno de 180 milhões. Ou seja, em torno de 3% da população consegue ter algo melhor para ver do que os míseros 7 canais da TV aberta.

Entretanto, existem outras alternativas, que apesar de inovadoras, ainda são limitadas. Com o avanço dos PC´s (Personal Computers) ou computadores caseiros, ficou claro que este seria uma nova via para a mídia em geral (televisiva, cinematográfica e musical, principalmente). Também para ilustrar a proporção em relação ao país, em Agosto/2006 o número de usuários ativos de computador no Brasil chegava a quase 14 milhões - cerca 8% do total - o que também é muito pouco. Mas esses poucos terão a chance de explorar os novos caminhos que a Internet oferece, principalmente pela flexibilidade na demanda que foge da oferta e dos horários impostos pelas redes de TV. É claro que o 1º nome que se vem a mente é o YouTube quando se fala nesse tipo de inovação. Quem já acessou o site sabe que é possível se ver qualquer coisa por lá, de desenhos animados a filmes completos (ainda que fragmentados). Apesar de alguns reveses como a qualidade dos vídeos colocados, a necessidade de aguardar o carregamento (streaming) e a sobrecarga dos servidores - e o custo relativo a isso - o YouTube já delineou o que será o futuro: uma TV personalizada em termos de horários e programas.

Nesse processo evolutivo, O YouTube já ganhou um filhinho: o Joost (http://www.joost.com/), que apresenta a mesma funcionalidade de demanda do YouTube, mas que resolve o problema de alocação dos vídeos trabalhando em sistema P2P (peer-to-peer). O conceito é simples: máquinas reunidas em uma grande rede, onde todos assistem ao contéudo do outro, o que elimina o problema físico que o YouTube tem (minimizado após a compra pelo Google, que passou a arcar com os altos custos de operação). Apesar de ter um conteúdo infinitamente menor se colocado em frente ao YouTube, já será uma outra opção, caso a moda pegue. Em tempo: é necessário instalar um programa no micro para rodar o Joost.

Como a rapidez anda aliada a informática, uma derivação mais avançada do Joost já surgiu: o DNAStream (http://dnastream.tv/), que dispensa os incovenientes dos seus predecessores e trabalha com endereços específicos, sem necessidade de nenhuma instalação. Mesmo com estas diferenças, o princípio é o mesmo: TV por demanda, a qualquer dia e qualquer hora.

Não é preciso pensar muito para entender que nossa situação é crítica. O Brasil está atrasado no que diz respeito a implantação da TV Digital, enquanto países como EUA e Japão já estão prestes a banir o sinal analógico. Além de atrasada, essa novidade nos chegará datada, uma vez que a TV caminha para a Internet, com uma proposta bem diferente e mais convidativa do que a que nos é oferecida atualmente pelas grandes redes. Por conta dos nossos números econômicos e de exclusão digital, podemos chegar a conclusão que apenas alguns afortunados (como eu, graças a Deus) estão pouco se lixando para a TV Digital: ela já nasceu velha...

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