quarta-feira, 5 de março de 2008

Reflexões do Big Brother


Não assisto Big Brother, não sei o nome das pessoas direito, mas mesmo assim acabo sabendo das notícias, pois na Internet as manchetes são sempre desse negócio. O cara foi no banheiro soltar um barro e na mesma hora, on line, em tempo real, só faltam transmitir o cheiro do banheiro onde o cidadão está evacuando. Males da modernidade. Mas mesmo sem assistir - já me cansou, pois é sempre a mesma coisa - as notícias que chegam até mim desta 8ª edição (será que ainda vai ter mais?) me deixam estarrecido. Fico simplesmente embascado com a importância psicológica que se dá a esse negócio, como se o programa fosse tão severo quanto um treinamento do BOPE, quando na verdade não passa de um spa de alto luxo, com bebida e comida farta, mulheres para os homens e homens para as mulheres e o que é melhor: sem trabalho!!!

O primeiro ponto interessante é o fato de que ninguém se conhece (pelo menos na teoria) e a medida que o tempo passa, juram amor ou amizade eternos, como se estivessem em um campo de batalha e a única opção de sobrevivência fosse um ter ao outro. Trata-se de um jogo, e muitas das vezes este amor ou amizade não resistem a uma ida para o paredão, onde se transformam em frustração e desapontamento. É mais curioso ver a reação dos "amigos" que vêem parceiros partirem da casa. Não se sabe se o desespero e o choro são porque o amigo que vai embora será fuzilado (o tal "paredão") ou se quem fica é que será condenado a um tormento insuportável. Já vi alguns vídeos de verdadeiro inconformismo, que me deixaram até preocupado, tamanha a aflição. Agora, a real de quem sai é ver família, amigos, namorada(o)s, cachorro, papagaio, ganhar dinheiro, posar pelada(o), menos ficar se preocupando com quem ficou. Mesmo porque esse que ficou provavelmente vai ganhar mais dinheiro do que esse que saiu, concordam? Não tem nexo.

Outra coisa: jogo é jogo, jogo tem regras. Se todos sabem as regras, e elas dizem que alguém vai sair a cada semana, para que aquela presepada psicológica de "será que dessa vez sou eu?", "será que alguém vai votar em mim?"? Uma hora todos vão e pronto. E aí começam as atuações, sendo que isso é negócio para ator, e isso nenhum deles é. O problema é que o público parece não perceber isso, e acredita nos papéis e no roteiro que está sendo seguido. Ou será que é natural uma das garotas perguntar para um dos caras "Vc já comeu um cú?"? Ou ainda arriar as calças na frente dos outros, falar que gosta de apanhar de homem e etc. Bom se falar isso na frente de um país inteiro é normal...

Mas o que dá o tom dessa bobeirada toda é o Pedro Bial e a edição do programa. O primeiro é um mala sem alça, principalmente nos paredões, onde faz aqueles discurssos dignos do Fausto Silva, onde ele baba o ovo dos emparedados de tal modo que eles passam a ser dignos do Nobel da Paz, de tão bons. Se torna bizarro, pois não é raro ele fazer isso para pessoas vazias e fúteis, que em nada se parecem com o quadro pintado. Quanto a edição, essa é tendenciosa e exalta os pontos altos de cada interpretação, fortalecendo o personagem que cada um escolheu. Desso modo, configuram-se o mocinho, o vilão, a galinha devassa, a inocente burra, o gay (que agora aparece ser obrigatório), a descacetada e pro aí vai. E o público embarca.

Particulamente, acho um programa já desgastado e que só está se repetindo a cada ano. Como nossa TV aberta é bisonha, ficamos a mercê, sem opção. Apesar do que, opção temos: não assistir. Mas pelos números do último paredão - 64 milhões de votos - tem muita gente que não pensa assim.

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