terça-feira, 1 de abril de 2008

Quem tem Medo de Sinopse?


Pela segunda vez este ano, fui ao cinema para me aborrecer. Não por conta de filme ruim (muito pelo contrário), mas por conta do público. Na primeira vez, assisiti a "Cloverfield", que comentei aqui com altos elogios. Desta vez, fui assistir "Ponto de Vista", um suspense/ação espetacular com com um elenco mais ainda: Dennis Quaid, Matthew Fox (O Jack de "Lost"), Forest Whitaker e Sigourney Weaver. Entretanto, mais uma fiquei com a impressão de que poucas pessoas na sala sabiam que filme iam assistir.
Vamos a trama: Thomas Barnes (Dennis Quaid) e Kent Taylor (Matthew Fox), são dois agentes do Serviço Secreto designados para proteger o Presidente Ashton (William Hurt) em uma conferência primordial sobre a guerra mundial contra o terror. Quando o Presidente Ashton é baleado logo após sua chegada, o caos se instala e vidas completamente diferentes colidem. Na multidão está Howard Lewis (Forest Whitaker), um turista americano que está filmando o evento para mostrar para seus filhos quando voltar para casa. Lá também está Rex (Sigourney Weaver), uma produtora de notícias da TV americana que está transmitindo a conferência. É somente quando começamos ver a perspectiva de cada pessoa sobre os mesmos 15 minutos antes e imediatamente depois do tiro que a verdade aterrorizante por trás dessa tentativa de assassinato é revelada.
Lendo esta sinopse, já se tem uma idéia do que o filme vai proporcionar: a visão de cada personagem sobre um mesmo fato, mas com pequenos detalhes que, ao serem unidos, revelam a trama do filme. Fazer isto demanada que a primeira parte do filme seja focada apenas nos mesmo fatos, ou seja, a cena do atentado é repetida várias vezes, visando mostrar a citada perspectiva individual. E é aí que entram os infelizes que compram o ingresso de um filme porque acharam o cartaz bacana, ou porque o elenco é legal ou ainda porque era o único que dava tempo de ver com base na hora que chegaram no cinema. Essas pessoas, sem a mínima noção do filme e do enredo - essa é a única explicação plausível - reclamaram a todo momento em que a cena do atentado era repetida. Isso mesmo, as pessoas reclamavam do ingrediente principal do filme, justamente o que o tornava diferente dos outros e tornava a trama atraente: ninguém têm a mesma percepção das coisas, dos fatos, das pessoas, enfim, essa diferenciação é que nos proporcionava acompanhar o desenrolar da estória. Como em "Cloverfield" aconteceu a mesma coisa, pensei um pouco e cheguei as seguintes conclusões:
1) Filmes como esses são uma verdadeira "calça-arriada" para o povão, pois ele tem preguiça de pensar. Narrativas não-lineares demandam raciocínio, e o zé povinho não quer isso;
2) O item acima é um problema, pois os filmes de ação (estilo preferido da maior parte daqueles que vão ao cinema, acredito eu) atualmente buscam novos caminhos, seja em termos de enredo, de atuação e de efeitos especiais. Filmes retos e com uma estória "pobre" como "Comando Para Matar" (o que não faz dele um filme ruim, só digo que os tempos são outros) nos idos dos anos 80 não são a tônica dos filmes de hoje. As tramas se tornaram mais complexas, as narrativas idem e as atuações tem de ser mais compatíveis com isso;
3) Tem como não saber o que se passará na estória de um filme no cinema? Claro que sim: basta não entrar no site do cinema e ver as informações, inclusive a sinopse, ou então não pegar a programação impressa que eles dão gratuitamente nos guichês. Ou então não acessar aos inúmeros sites de cinema que vão falar sobre tudo do filme, inclusive com trailers e teasers que darão uma boa idéia de como ele é. Ou então não conversar com ninguém que já o tenha assistido ou saiba de alguma coisa. Ou então não ler jornal, nenhuma revista ou ver TV. Viram? Foi fácil para essas pessoas chegarem ao cinema sem saber nada.
Nessas horas, nota-se a razão da falta de cultura em nosso país, uma vez que nem se informar sobre seu lazer as pessoas estão dispostas. O pior não é isso. O pior é que o ingresso de um cinema não é barato e, salvo em dias de promoções ou então pagando meia, não há condição de se assisitir a um filme na base do "vamos ver no que vai dar". Se for para gastar dinheiro para o lazer, melhor faze-lo com algo que realmente seja agradável, a menos que vc tenha um outro ponto de vista sobre isso (desculpem o trocadilho infame...).

2 comentários:

Fragmentadora de Papel disse...
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Tatiana disse...

Concordo que as pessoas precisam saber o que estão pagando para assistir. Porém quanto que isso seria uma falha da cultura do nosso país, mais ou menos as pessoas são acomodadas e sofridas pelo pequeno salário que recebem elas não querem se preocupar com nada, querem ir ao cinema para rir ou para chorar, você não poderia apenas culpar nossos governantes as pessoas também não procuram com suas próprias pernas.
" Mas que o filme se torna um pouco repetitivo, você tem que concordar e dar o braço a torcer que acaba se tornando sim, mas não tira o mérito do filme, foi simplesmente muito bom. "