domingo, 26 de outubro de 2008

O Herdeiro de César


Depois do primeiro turno e de diversos acontecimentos ao longo do segundo, a eleição do Rio de Janeiro tomou um rumo inesperado para mim. A chegada de Gabeira e de Eduardo Paes, deixando Crivella de fora da jogada, foi uma surpresa. Maior surpresa tem sido o comportamento de cada candidato frente à eleição de hoje. Só espero não me surpreender com a população do RJ votando no pior do dois: Eduardo Paes.

Não sou militante do PV, não sou fã do Gabeira e não votei em ninguém no primeiro turno, mas me sinto na obrigação de votar agora. Na realidade, não vou votar no Gabeira em si, mas contra o Eduardo Paes. A primeira coisa que me fez pensar assim foi a postura dele (Paes) em pedir desculpas ao Lula pelos ataques que ele havia feito ao Presidente durante a CPI dos Correios, simplesmente porque agora precisa do apoio do Governo Federal, uma vez que Cabral é mentor da candidatura e aliado declarado de Lula. Se tem uma coisa que denigre o político é a corrupção. Entretanto, a falta de caráter e o oportunismo barato também têm o mesmo impacto. Para se ter uma idéia, Paes troca de partido como quem troca de roupa (vi/li essa colocação várias vezes na imprensa), tendo iniciado sua carreira política no... PV de Gabeira! Do PV para o PFL, do PFL ao PTB, do PTB ao PSDB, do PSDB ao atual PMDB... Qual será o próximo?

Acho que todo o político tem cara de pau por natureza, mas a propaganda na TV de Paes chega a ser constrangedora nesse ponto. Nos programas em que mostrou o encontro com Presidente Lula, Paes nem de longe parecia o oposicionista de outrora, mostrando projetos e mais projetos, tentando passar a impressão ao público que com ele na Prefeitura, o Governo Federal será nosso maior parceiro... Para completar, outros programas mostraram o mesmo tipo de encontro com Tarso Genro e Dilma Russef, no esquema “nunca falei nada de ninguém”, levando uma ilusão patética ao povo do RJ... para quem quiser ter uma idéia do absurdo, vejam o vídeo no fim do post, de uma entrevista de Paes a TV em 2006. Vejam como ele era antes e o que é hoje. Patético.

Gabeira vai fazer algo se eleito? Não sei. Pelo menos ele não tem o discurso pronto do Paes (e de todos os outros também) que diz que fará x hospitais, x creches, x escolas, colocará mais Pms na Rua, mais professores, vai melhorar a guarda municipal, vai acabar com os camelôs nas ruas, vai colocar ônibus mais baratos e etc., numa fórmula pronta que eles compram não sei aonde. Vencer toda a burocracia da máquina é difícil, e realizar todos esses milagres, tão fáceis de serem prometidos, é um desafio sem tamanho. Vencer a guerra de interesses da política é tarefa Herculínea. Gabeira é mais contido nesse ponto e conseguiu chegar até aqui sem ter um comitê sequer, fazendo as coisas na base do voluntariado, ao contrário de Paes que tem o Governo do Estado e a estrutura do PMDB ao seu lado.

Sinceramente, não sei se a coisa vai melhorar, seja com um ou com o outro. Ninguém efetivamente fez nada até agora, e é difícil achar que haverá um ponto de partida. Até mesmo Sérgio Cabral, que chegou cheio de gás, não invade mais hospital público para apurar descaso com o povo... Será que algum dia isso muda? Será que um dia surgirá alguém que realmente faça algo por nós? Enquanto não sabemos da resposta, só nos resta escolher o menos pior, pois bom ainda não há.


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