sexta-feira, 20 de março de 2009

Eu e o "Watchmen"

Marketing realmente é tudo, isso é certo. Digo porque, quando devidamente utilizado, desperta o interesse e traz o consumidor para perto do produto, independente do grau de interesse ou necessidade. Na realidade, bato palmas para toda a campanha montada para o filme “Watchmen”, o que gerou um estardalhaço no mundo todo, mais especificamente nos fãs de quadrinhos. Confesso que conheço (ou pelo menos, conhecia) muito pouco sobre estes personagens. Já havia ouvido falar, mas nunca li nada deles. Deste modo, com todo o alvoroço criado, com as resenhas positivas que li e a minha preferência por filmes baseados em HQ´s, não tive dúvidas: fui para o cinema encarar as 2h40 de duração do filme. No final, uma única certeza: decepção total, ou quase isso.

É claro que não posso ser taxativo quanto à qualidade do filme, em meio a um cenário tão favorável a ele. Realmente não li uma resenha negativa sequer sobre o filme. Um amigo meu, com gosto semelhante, foi ver o filme e adorou. Assim sendo, me perguntei o que houve para a minha opinião não ser a mesma de todos. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão que meu problema foi justamente não haver lido os quadrinhos. Originalmente a estória dos Watchmen foi escrita por Alan Moore e publicada em 12 edições mensais nos EUA entre 1986 e 1987. Extremamente complexa, a estória chegou a ser considerada “infilmável”. E esse é o ponto: para quem leu, o filme é maravilhoso, pois mesmo com toda a “enxugada” no roteiro, visando à viabilidade cinematográfica (há informações de que a versão em DVD virá com 1 hora a mais (!), dada a supressão de vários elementos na trama), a estória foi muito bem retratada. Obviamente, o fato de haver lido a HQ ajuda em muito, pois os pontos falhos na visão de um leigo são perfeitamente compreendidos por estas pessoas.

Pelo que pesquisei, o grande charme da estória dos Watchmen e razão de seu sucesso é a visão diferenciada dos Heróis como nos os conhecemos. Aqui, o glamour é substituído pela decadência, falta de moral e até pela crueldade, numa inversão valores interessante, mesmo porque eles não deixam ser heróis por conta destes fatores. O último filme do Batman (“Dark Knight”) já trilhava esse caminho de desmascarar e humanizar o herói e se deu muito bem (cortesia da belíssima estória escrita por Frank Miller – essa sim eu já havia lido). E é nesse ponto que realmente acredito que o filme não pode comportar toda a trama, pois a decadência do grupo é mostrada muito rapidamente e com certeza deve render bons momentos no gibi.

O filme em si tem grandes momentos (todas as cenas de ação são maravilhosas, pena que são poucas em 160 minutos de projeção), tem um áudio excelente (cada explosão ou soco soa claríssimo, isso sem falar na trilha sonora espetacular, totalmente 80´s), o cast foi bem escolhido e cada faz bem o seu papel, mas na maior parte do tempo tédio tomou conta de mim. As seqüências do Dr Manhattan, a exceção da que mostra sua origem, são chatíssimas. Em especial, a de Marte (em que ele conversa com Silk Spectre) é sonífera. O mais engraçado é que li uma resenha em que essa cena é citada como um dos momentos mais emocionantes e intelectuais do gibi (?). O final do filme também é estranhíssimo, num anticlímax como poucas vezes eu vi. Pela primeira vez na vida, tive de concordar com um cidadão na sala de projeção que, ao ter certeza de que o filme havia acabado, desabafou: “Graças a Deus!”. Geralmente, somente pessoas que não tem idéia do que vão assistir fazem isso, mas não era o meu caso... Quase me esqueço: o filme já perde muito em matar, logo nos primeiros minutos, o melhor personagem da trama: o Comediante. Quem ver o filme provavelmente vai concordar comigo, pois o a cara é um animal.

Com a morte do Comediante, quem efetivamente brilha no filme é Rorschach. Utilizando um saco branco na cabeça com uma mancha negra que se movimenta por ele na região da face (um barato), o cara também é um monstro ( embora com mais escrúpulos que o Comediante) e salva o filme nas cenas mais violentas. Eu gostaria muito se um dos delírios de Hollywood fosse um filme só dele...

Para quem quiser tirar a provar, coloco aí embaixo o trailer do filme e alguns links de resenhas do filme. Junte tudo e depois assista ao filme: vai que vc não gosta?

Resenha no Delfos

Resenha no Cinema Com Rapadura

Resenha no Omelete

Resenha no O Globo


Um comentário:

Emotions Day disse...

detestei este filme foi decepcionante, eu esperava tanto deste filme e não acredito que foi tão ruim. Ainda bem que não vai ter outro arg.