sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quem quer ver TV?

Isso vai parecer idiotice, pois não é nenhuma novidade. Sempre falei mal aqui no Blog da TV Aberta, da pobreza da programação e pouca oferta de canais. Sempre falei também do universo totalmente diferente que é a TV por assinatura. Mas vou ter de falar de novo sobre isso: acontece que, recentemente, consegui finalmente fazer minha assinatura de TV fechada, e minha vida mudou. Não que eu não conhecesse, não que eu não soubesse o que tinha lá a disposição ou que eu não soubesse dos recursos. Mas uma coisa é você assistir algumas coisas na casa dos outros, em hotéis, pousadas e etc.: definitivamente, é outra coisa se você tem isso em casa, a sua disposição. Para mim, ficou mais gritante ainda o quanto a TV aberta é pobre de quantidade, porca na oferta de qualidade de conteúdo e pior: acho que nunca deixará de ser assim.

A TV por assinatura no Brasil tem quase 21 anos e ainda é algo restrito e elitista, apesar dos novos esforços das empresas operadoras na popularização desse serviço. Entretanto, ainda é pouco perto do número de telespectadores que detém apenas a TV aberta. Falando em números, em Setembro de 2009, o número de lares com TV paga no Brasil chegou a 6,4 milhões. Para se ter uma idéia da discrepância que isso representa, o número de lares com pelo menos 1 aparelho de TV, em 2007, era de 48 milhões. Deixando de lado os dois anos que separam os dados em questão, o número de lares com TV paga, numa comparação direta, representa apenas pouco mais de 13% do total de lares. Para realçar ainda mais este quadro, no mesmo ano de 2007, a Argentina tinha 63%, Uruguai 49% e a Colômbia 75% de penetração de TV paga nos lares. Em suma: como sempre acontece em tudo neste país, estamos atrasados, ficando para trás te mesmo de economias menores que a nossa.

Percebem agora porque a TV aberta, mesmo com sinal digital, nunca vai evoluir? O mercado é imenso, ainda há muito o que conseguir e, enquanto a TV aberta for ruim, haverá sempre quem desejará fugir dela. Entretanto, não se iludam: mesmo com pacotes que variam entre R$ 40,00 e R$ 60,00, devemos atentar para a renda do trabalhador brasileiro (dados IBGE 2008):

Até 1 salário mínimo (R$ 415,00): 29,1%
De 1 a 2 mínimos (R$ 830,00): 31%
De 2 a 3 mínimos (R$ 1.245,00): 11,6% .
Dessa forma, 71,1% dos que trabalham ganham até 3 mínimos.

Deste modo, uma assinatura de R$ 40,00 usando os dados acima, pode representar um gasto que varia entre 4% e 10% da renda por lar. Pode parecer pouco, mas lembrem-se de fatores como aluguel, luz, água, alimentação e vestuário, para citar só alguns. Como encaixar um “capricho” no meio disso tudo?

Pode até parecer uma bandeira sem sentido esta que estou levantando aqui, mas fico pensando no trabalhador que rala a semana inteira para sustentar a família e que não conta com grana para o lazer – experimente fazer as contas para ir a um cinema, por exemplo – e que então vai depender de passar um Domingo em casa e com a TV como único recurso de distração. Ficar a mercê de Faustão, Gugu, Celso Portiolli, Ana Rickman, Elaina e Silvio Santos, com programas igualmente ruins entre si, foi uma coisa que me fazia, há um bom tempo, não ligar a TV a não ser para ver um filme no DVD. O mais curioso de tudo é: esses que citei acima ganham tanto dinheiro por um trabalho tão pobre...

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